Em tratamento contra leucemia, paciente internada se casa na capela do Hospital Estadual Mário Covas

Publicado em: 06/10/2026

Cerimônia reuniu equipe médica, familiares e amigos do casal, reforçando o apelo por doadores de medula óssea cadastrados no Redome

 

Gabrielle e Pablo selaram o “sim” dentro da unidade hospitalar, em Santo André

Gabrielle Martins dos Santos, de 31 anos, e Pablo Martin Ruiz Lopez, de 35, marcaram o casamento para 17 de setembro na capela do Hospital Estadual Mário Covas (HEMC), em Santo André (SP). A cerimônia aconteceu dentro da própria unidade onde Gabrielle iniciou seu tratamento, em dezembro de 2025, contra a leucemia mieloide aguda (LMA).

A história do casal começou em março de 2024. Pouco tempo depois, em abril daquele ano, os dois começaram a namorar — e, segundo contam, já sabiam ali que havia algo diferente entre eles. Em dezembro de 2024 veio a notícia da gravidez, e em julho de 2025 nasceu Maria Sophia, a primeira filha do casal. Foi poucos meses depois, em novembro de 2025, que Gabrielle recebeu o diagnóstico da doença.

Pablo, argentino, natural de La Plata, não hesitou: deixou o apartamento onde o casal morava, vendeu os móveis e o carro, e se mudou para o Brasil ao lado da companheira, para que ela pudesse tratar a doença perto da família — sobretudo da mãe. O HEMC, administrado pela Fundação do ABC em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, é referência em tratamento de câncer na rede pública no Grande ABC.

Foi dentro do hospital, em meio às sessões de quimioterapia e às incertezas do tratamento, que surgiu a ideia do casamento. A sugestão partiu de Pablo: por que não se casar ali mesmo, na capela, no lugar que havia se tornado palco de tantos momentos difíceis? A equipe da Hematologia e do setor de Humanização do HEMC abraçou a proposta, e o que começaria como um simples casamento se transformou numa celebração cuidada por médicos, assistentes sociais e colegas de trabalho da unidade. “Porque, no fim, talvez esse seja o maior presente: perceber que mesmo nos dias mais difíceis, o amor nunca deixou de escrever a nossa história”, resume Gabrielle.

Atualmente, Gabrielle está internada e segue em quimioterapia. O diagnóstico inicial evoluiu para uma recidiva, e agora ela trava uma corrida contra o tempo em um segundo tratamento, que busca a remissão da doença antes de partir para o transplante de medula óssea.

A idade da mãe de Gabrielle é um fator desfavorável para a doação de medula óssea. Dessa forma, a equipe médica do HEMC busca pessoas compatíveis no REDOME, o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea. Enquanto aguarda esse desfecho, Gabrielle já mobilizou amigos e familiares a se cadastrarem no banco de dados — uma causa que, segundo ela, tem avançado aos poucos, mas segue precisando de mais gente disposta a doar. Basta ter entre 18 e 35 anos e boa saúde geral para se cadastrar em um hemocentro, com uma simples coleta de sangue.

Casos como o de Gabrielle e Pablo também chamam atenção por irem na contramão de uma realidade comum entre pacientes oncológicas: mulheres em tratamento contra o câncer costumam enfrentar o abandono do parceiro com mais frequência do que os homens em situação semelhante. Por isso, para a equipe do HEMC, a cerimônia carrega um significado que vai além do casal.

Maior unidade hospitalar do Grande ABC, o HEMC é referência em oncologia na região. Administrado pela Fundação do ABC desde sua inauguração, em 2001, o hospital soma certificações de qualidade nacionais e internacionais e conta com o Centro Universitário FMABC como braço de ensino, pesquisa e apoio à assistência.