Fundação do ABC capacita 60 profissionais em ergonomia aplicada à saúde

Publicado em: 21/10/2026

Curso do SESMT corporativo ensina equipes de segurança do trabalho a identificar riscos e a prevenir afastamentos nas unidades mantidas pela instituição

 

Profissionais dos SESMTs das unidades mantidas pela FUABC participam do curso de ergonomia aplicada aos trabalhadores da saúde

A Fundação do ABC (FUABC) realizou, em 16 de outubro, a primeira turma do curso “Ergonomia Aplicada aos Trabalhadores da Saúde”. A segunda turma acontece no dia 23 de outubro. A iniciativa é do Serviço Especializado em Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) corporativo e reuniu cerca de 60 engenheiros e técnicos de segurança do trabalho das unidades mantidas pela instituição.

Cada turma tem carga horária de oito horas. As aulas ficam a cargo do engenheiro-chefe de Segurança do Trabalho da FUABC, Prof. Dr. Amaury Machi Júnior, doutor em Saúde Ocupacional e Ergonomista. O objetivo é dar aos participantes ferramentas para identificar, avaliar e prevenir os riscos ergonômicos presentes em hospitais e em outros serviços de saúde.

O conteúdo vai da biomecânica ocupacional e da antropometria à equação de levantamento de cargas do NIOSH, passando por métodos de avaliação da fadiga muscular e das exigências sobre a coluna e os membros superiores. Há ainda espaço para a ergonomia no trabalho sentado e no uso de computadores.

Os alunos também estudam a Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) e a Análise Ergonômica do Trabalho (AET), previstas na Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17), além do papel dos Comitês de Ergonomia na busca por melhorias.

IMPORTÂNCIA

Os números ajudam a entender a preocupação. Segundo dados atribuídos ao Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab), que conta com a participação do Ministério Público do Trabalho, cerca de 47% dos afastamentos previdenciários acidentários na área da saúde estariam ligados a questões ergonômicas, físicas ou cognitivas.

Para o Dr. Machi, as consequências vão além do ambiente de trabalho. “Os afastamentos relacionados aos problemas ergonômicos impactam diretamente a vida do trabalhador, comprometendo sua saúde, qualidade de vida e capacidade laboral. Ao mesmo tempo, as consequências também atingem as organizações, a sociedade e o próprio governo, em razão dos custos assistenciais, previdenciários e da perda de produtividade”, explica.

Segundo ele, preparar quem atua em segurança do trabalho é um caminho central para evitar o adoecimento. “Investir na capacitação dos profissionais dos SESMTs significa aprimorar o olhar técnico para a identificação dos problemas ergonômicos e, principalmente, desenvolver soluções capazes de adaptar o trabalho às características e capacidades dos trabalhadores”, ressalta.

Nos hospitais, o assunto é ainda mais sensível. Movimentar e transferir pacientes, levantar cargas, manter posturas inadequadas, repetir movimentos e cumprir jornadas longas, sempre com muita atenção, fazem parte da rotina de quem cuida.

COMPROMISSO

A capacitação também pretende aproximar os SESMTs das diferentes unidades, incentivando que o aprendizado vire prática e que as medidas preventivas cheguem a todos os setores. A lógica é simples: cuidar de quem cuida melhora a qualidade e a segurança do atendimento prestado à população.