Publicado em: 28/10/2026

Maria Solidade Rodrigues Nantes, Dr. Felipe Colbert, Dra. Emilli Silvestri e Magali Motta
Santo André lançou nesta semana o Protocolo Pré-natal de Risco Habitual e Puerpério na Atenção Primária à Saúde e o documento Meu Plano de Parto. Os materiais foram construídos em conjunto pela Secretaria de Saúde, pelo Hospital da Mulher Maria José dos Santos Stein e pela Rede de Atenção Básica. Eles padronizam o acompanhamento das gestantes em toda a rede municipal e dão mais autonomia às mulheres na hora do parto.
O lançamento ocorreu em 26 de outubro, no auditório do Hospital da Mulher de Santo André. “Isso é muito significativo, muito importante. Na minha primeira conversa com o pessoal do Hospital da Mulher, eles comentaram sobre o plano de parto e sobre a relevância dele para toda a rede. Hoje estou vendo o quanto vocês estão felizes de colocarmos isso em prática”, afirmou o secretário de Saúde de Santo André, Diego Cabral, ao abrir o evento.
Para o secretário, os dois materiais trazem mais humanização à relação com a gestante. Ele lembrou que muitas mulheres chegam ao pré-natal com dúvidas que pesam no dia a dia. “Hoje a gente traz tudo isso para uma compilação muito significativa, que vai diminuir as preocupações, os medos e as dúvidas das gestantes. Que a única preocupação delas seja ver logo o rostinho do filho ou da filha, sem problemas no que se refere à informação”, afirmou.
Os detalhes específicos ficaram com o responsável técnico do Hospital da Mulher, Dr. Felipe Colbert, que resumiu os pontos de maior importância. A prevenção da pré-eclâmpsia, hoje a principal causa de morte materna no Brasil, ganhou destaque. O protocolo prevê medicações profiláticas para evitar o surgimento da doença nas gestantes com fator de risco.
Entre as mudanças práticas, o médico citou a padronização dos exames de cada trimestre da gestação e dos ultrassons feitos ao longo do pré-natal. “Colocamos o ultrassom transvaginal para medir o colo do útero por volta de 20 a 22 semanas. Se estiver alterado, é um fator de risco para parto prematuro e temos medicamentos e condutas que podem evitar esse parto”, detalhou.
Outra novidade é o ultrassom obrigatório com 36 semanas para todas as gestantes de Santo André. “Ele gera uma avaliação de imagem próxima do parto, o que ajuda de forma direta a avaliação médica no atendimento de urgência perto do nascimento”.

ATENÇÃO BÁSICA
Quem atua na ponta do atendimento reforçou a importância do documento. A enfermeira Magali Motta, responsável técnica de Enfermagem da Clínica da Família Capuava – Centro de Saúde Escola, representou os enfermeiros da Atenção Básica e abriu a roda de conversa lembrando de outra época, em que esses profissionais tinham menos autonomia.
Ela participou da construção de outros protocolos do município e disse que este foi o primeiro feito, de fato, a muitas mãos. “Foi um trabalho multidisciplinar. Além da equipe médica, tivemos os enfermeiros, a assistência farmacêutica, a gerência e o pessoal da regulação. Foi uma equipe ampla que trabalhou nesse protocolo”, explicou.
ESCOLHA DA MÃE
O documento O Meu Plano de Parto, por sua vez, permite que a gestante registre suas escolhas para o trabalho de parto e o nascimento. A gerente de Enfermagem do Hospital da Mulher, Maria Solidade Rodrigues Nantes, principal articuladora do documento, explicou que a unidade oferece métodos não farmacológicos de alívio da dor.
“Temos a hidroterapia, que é o banho terapêutico, e os equipamentos que a gente disponibiliza, como o balanço pélvico, a bola de pilates, massagens e compressas mornas. Muitas vezes, a mulher consegue passar por todas as fases sem precisar de um método farmacológico”, disse. No entanto, quando a escolha é pela analgesia, ela também é respeitada, e o cuidado chega a detalhes como a dieta durante o trabalho de parto.
Inaugurado em agosto de 2008 pela Prefeitura de Santo André e gerido desde o início pela Fundação do ABC, o Hospital da Mulher é um dos maiores centros de referência em saúde da mulher da região. Fica no Parque Novo Oratório e responde por 100% dos partos do SUS na cidade, com média mensal de 250 partos, 11 mil consultas e atendimentos e 15,5 mil exames e procedimentos.