Publicado em: 20/03/2026

Pacientes que aguardavam consultas receberam orientações (foto: Eric Romero/PMSCS)
Dor não é normal. Este foi o tema da ação realizada pelo Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher) de São Caetano do Sul para conscientizar sobre a endometriose. Pelo Março Amarelo, a unidade foi decorada, no dia 19, com esta cor, que remete à causa e que foi vestida pelas profissionais do espaço.
A endometriose é uma condição em que tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, causando inflamação e dor intensa, inclusive incapacitante. Pode afetar ovários, trompas e outros órgãos.
“Muitas mulheres acabam normalizando essa dor e, quando fazem isso, não se dão conta de que estão perdendo qualidade de vida. Por isso, o nosso alerta: dor não é normal”, enfatizou a responsável técnica do Caism, Bruna Nakauchi.
Durante a ação, foram distribuídos folhetos com informações sobre a endometriose durante as abordagens das profissionais junto às pacientes que aguardavam por consultas e exames.
“Sofri muito tempo sem saber que tinha essa enfermidade. Foram dez anos com dores muito fortes, cólicas muito intensas, chegando a ficar acamada. E muito sangramento, a ponto de achar que estava com hemorragia”, relatou Katia Pereira, de 46 anos.
Foi após a realização de um ultrassom transvaginal que a moradora do Bairro São José recebeu o diagnóstico e começou a fazer o acompanhamento no Caism. Em junho de 2025, realizou cirurgia para a remoção dos ovários. “Foi a melhor coisa que fiz na vida. Antes tinha TPM intensa, ficava mal-humorada pelas dores e acabava atingindo pessoas que amo por conta disso. Agora não tenho mais nenhuma dor. Estou amando a minha nova versão.”
Jéssica Cristina Albino Silva, de 33 anos, nutre a expectativa pela melhora da qualidade de vida. A moradora do Bairro Oswaldo Cruz esteve no Caism com os exames pré-operatórios em mãos para marcar a data da cirurgia.
“Sentia dor aqui e ali e achava que era uma cólica normal, que tomando um remédio iria resolver. As dores se intensificaram e num primeiro momento achava que era coisa da minha cabeça. Até que pensei: ‘Isso não pode ser normal’. Procurei um médico, fiz exames e recebi o diagnóstico de endometriose, iniciando o acompanhamento imediatamente”, afirmou a gerente financeira.
“Às vezes surgem pensamentos um pouco machistas de normalizar a dor da mulher, mas não é normal ficar indisposta. Temos que procurar um médico e iniciarmos um tratamento adequado. Sentir dor não é normal”, reforçou Jéssica.
A cirurgia não é o único tratamento para pacientes com endometriose. Há alternativas mais conservadoras, como o uso de medicamentos hormonais e para controle da dor, dependendo de cada caso.
Em São Caetano, as cirurgias são realizadas no Hospital Municipal Maria Braido. O tempo de espera, que era de três meses, caiu em um mês com a contratação de novos cirurgiões e a abertura de um novo período para a realização do procedimento.
SINAIS DE ALERTA
Sintomas indicativos de endometriose incluem cólicas menstruais muito fortes, dor durante ou após relações sexuais, dor ao evacuar ou urinar, sangramento intenso ou irregular, inchaço abdominal frequente e dificuldade para engravidar. Percebendo um ou mais destes sinais, as mulheres devem procurar ajuda médica.
Em São Caetano, o primeiro atendimento é feito pelo ginecologista da UBS (Unidade Básica de Saúde) mais próxima da residência da paciente, que pode encaminhar para o Caism para melhor acompanhamento. “Não temos fila para consultas. Tendo o encaminhamento, a paciente passa com o médico em poucos dias”, finalizou Bruna Nakauchi.