Publicado em: 27/03/2026

Um corredor humano foi formado em homenagem à doadora
Em 23 de março, uma mulher de 36 anos deu entrada no Hospital Geral de Vila Nova Cachoeirinha (HGVNC) e faleceu em decorrência de um acidente vascular cerebral isquêmico. A família autorizou a doação de órgãos, e o gesto transformou a perda em esperança para outras pessoas.
Na tarde de 24 de março, foram captados fígado, rim, pâncreas e córneas, beneficiando pacientes que aguardavam na fila de espera por um transplante. O ato de nobreza teve a homenagem de um “corredor do silêncio”, em que os colaboradores do hospital se perfilaram ao longo do acesso por onde passou a doadora.
A captação foi coordenada pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, instituição filantrópica fundada há 460 anos e considerada um dos mais importantes centros de referência hospitalar do Brasil.
A coordenadora do pronto-socorro adulto e infantil do HGVNC, Carla Arouca Sobreira, destacou a importância do trabalho integrado que tornou o procedimento possível. “Conseguimos, junto com as equipes de captação, fazer com que uma paciente que, infelizmente, veio a óbito, pudesse ajudar inúmeras outras vidas”, afirmou. Carla também lembrou que o pronto-socorro completou um ano de gestão pela Fundação do ABC em 20 de março de 2026. “Temos trabalhado de forma gradativa, integrando a todos, de forma que todos os pacientes recebam atendimento com qualidade e humanidade”, disse.
O coordenador médico do pronto-socorro, Dr. Romeu Lucas Santos, ressaltou a complexidade técnica e humana envolvida no processo. “Na perda de uma vida, a gente pode estar salvando várias outras. É um trabalho conjunto, que move todo o hospital, toda uma equipe”, declarou.

Time do centro cirúrgico
FILA DE ESPERA
A dimensão do problema que doações como essa ajudam a enfrentar é significativa. Segundo dados do Governo do Estado de São Paulo, em setembro de 2025 cerca de 27 mil pacientes aguardavam por um transplante apenas no Estado. Em nível nacional, as maiores filas são para rim, córnea, fígado e coração — justamente alguns dos órgãos captados nesta doação.
Para a diretora de enfermagem do HGVNC, Sandra de Souza Araújo, o procedimento vai além do aspecto clínico. “Muitas vidas serão salvas. Agradecemos especialmente aos familiares que autorizaram a captação. É importante que as pessoas se conscientizem sobre esse procedimento tão importante”, disse ela, acrescentando que o hospital se sente honrado em poder contribuir.
A diretora técnica de saúde, Larissa Santana de Souza, reforçou o impacto direto na qualidade de vida dos receptores. “Ficamos gratos por diminuir a fila de espera e contribuir com a melhoria da qualidade de vida de tanta gente”, afirmou.
Por sua vez, a supervisora técnica do centro cirúrgico, Marisa Aparecida dos Santos, que trabalha no hospital há 28 anos, descreveu o dia como especial. “É um ato de amor. Ficamos muito felizes quando isso acontece aqui no nosso hospital”, disse Marisa, ressaltando que a doação proporciona uma vida mais longa para quem aguarda na fila de espera. Ela conta que o HGVNC costuma realizar captações de órgãos uma vez a cada dois meses, em média.
O Hospital Geral de Vila Nova Cachoeirinha é uma unidade da Secretaria de Estado da Saúde do Governo do Estado de São Paulo. O pronto-socorro é administrado em parceria com a Fundação do ABC, organização social de saúde com décadas de experiência em gestão hospitalar.

Equipe do Hospital Geral de Vila Nova Cachoeirinha