Fundação do ABC celebra o Mês do Orgulho LGBTQIA+ com palestra sobre diversidade

Publicado em: 03/07/2026

Encontro reuniu lideranças da instituição e especialista em DE&I para discutir avanços, desafios e o papel da saúde no acolhimento da comunidade LGBTQIA+

 

Palestrantes e lideranças da FUABC

A Fundação do ABC (FUABC) organizou, em 30 de junho, uma palestra em celebração ao Mês do Orgulho LGBTQIA+. O evento, realizado na Sala de Videoconferência do Centro Universitário FMABC, em Santo André, teve transmissão ao vivo pelo YouTube e reuniu 45 pessoas presencialmente, além de registrar um total de 351 interações durante a exibição on-line.

A data escolhida remete ao Dia Internacional do Orgulho LGBT, celebrado em 28 de junho em referência à Rebelião de Stonewall, ocorrida em Nova York em 1969. Naquele ano, uma batida policial em um bar frequentado pela comunidade LGBT resultou em uma série de protestos que, décadas depois, são reconhecidos como um marco na luta por direitos civis ao redor do mundo.

Ao abrir a programação, o presidente da Fundação do ABC, Dr. Aldemir Humberto Soares, destacou o papel da área da saúde na construção de ambientes acolhedores. “Nada é mais inclusivo e mais diverso do que a Saúde. Atendemos crianças, idosos, pessoas de todas as classes sociais e todas as orientações sexuais, sem nunca perguntar o porquê”, afirmou. Para ele, é justamente esse contato constante com toda a diversidade da população que coloca o setor em posição de referência quando o assunto é o respeito à diferença.

Na sequência, o vice-presidente, Dr. Ricardo Carajeleascow, reforçou que discutir diversidade exige, sobretudo, compromisso prático. “Falar é fácil, fazer é difícil. Não adianta os nossos hospitais estarem preparados para isso se aqui dentro não estivermos”, disse.

O coordenador de Compliance e integrante do Comitê de Diversidade e Inclusão da FUABC, Dr. Rafael Menezes, explicou os objetivos por trás da iniciativa. “Temos o interesse de fomentar esse tema aqui na Fundação do ABC, trazendo mais respeito, mais equidade e mais acolhimento a todos os colaboradores”, pontuou. O comitê é responsável por articular ações semelhantes ao longo do ano, buscando ampliar o diálogo dentro da instituição.

DEPOIMENTOS

O evento contou com a participação de Daniel Paschoal Camargo, supervisor de Recursos Humanos do Hospital Geral de Carapicuíba (HGC) e apoiador das políticas de Diversidade e Inclusão da unidade. Em sua intervenção, Daniel esteve presente em razão do trabalho de referência que desenvolve na instituição, trazendo para o evento uma perspectiva interna referente aos desafios práticos da unidade em que atua.

“Hoje lutamos por reconhecimento e segurança contínua — uma luta que começou em 1969 e que, acredito, ainda não chegou ao fim”, declarou. Ele relembrou também que o acolhimento familiar, muitas vezes temido, pode se mostrar surpreendente, e destacou a importância de perguntar a cada pessoa como ela prefere ser chamada como um gesto simples e eficaz de inclusão.

O palestrante principal, Thiago Pena, executivo e especialista em Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I) e ESG, apresentou dados que evidenciam o tamanho do desafio ainda existente. De acordo com o mais recente dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), o Brasil registrou 80 assassinatos de pessoas trans e travestis em 2025 — uma queda de cerca de 34% em relação ao ano anterior, mas suficiente para manter o país na liderança do ranking mundial de violência contra essa população pelo 18º ano consecutivo, segundo levantamento da TGEU (Trans Europe and Central Asia).

Pena também chamou a atenção para o impacto psicológico da falta de acolhimento, citando estudos que associam o isolamento familiar e profissional a maiores índices de sofrimento psíquico entre jovens LGBTQIA+, em que 30% das pessoas transgêneros acabam por tirar a própria vida.

Apesar do cenário de desafios, o palestrante reforçou que a pauta segue avançando. Ele citou marcos como o reconhecimento da retificação de nome e gênero em documentos pelo STF, em 2018, e a equiparação do crime de LGBTfobia ao de racismo, em 2019, além de dados que associam diversidade a desempenho financeiro. “As empresas que lideram o mercado são, em sua maioria, as empresas diversas — e isso não sou eu quem diz”, afirmou, citando um levantamento da Universidade Presbiteriana Mackenzie sobre a relação entre inclusão e lucratividade.

Ao final da programação, os representantes da Fundação do ABC reforçaram o compromisso de dar continuidade às ações do Comitê de Diversidade e Inclusão ao longo do ano, ampliando a discussão para além do mês de junho. Para a instituição, iniciativas como essa reforçam o entendimento de que o cuidado em saúde só se completa quando alcança, de fato, toda a diversidade das pessoas atendidas — e das que atendem.