Publicado em: 27/03/2026

Letícia Bordin, Evanilde de Oliveira, Dra. Bruna Lemos, Bárbara da Silva Girão, Dra. Nilmara de Oliveira e Cristal Santanna
O Centro Hospitalar Municipal de Santo André (CHMSA) encerrou, na tarde de 26 de março, as comemorações do Mês da Mulher com a palestra “Raízes e Asas. Força e Essência. O que é ser Mulher?”, realizada no auditório da unidade.
O encontro reuniu cerca de 30 colaboradores do hospital e foi conduzido por membros da União Brasileira de Mulheres (UBM), entidade nacional fundada em 1988 e dedicada à defesa dos direitos das mulheres, à promoção da igualdade de gênero e ao combate à violência.
A programação fez parte de uma série de ações promovidas pelo hospital ao longo de março. A coordenadora dos Núcleos de Qualidade, Segurança do Paciente e Educação Permanente do CHMSA, Letícia Bordin, destacou o sentido da iniciativa. “Estamos aqui para incentivar as mulheres a demonstrar sua força, sua intensidade, sua resiliência”, afirmou.
A gerente de enfermagem do CHMSA, Valéria dos Santos, ressaltou a importância do período. “Março é um mês de reconhecer a força, a coragem e a participação feminina. Que nunca nos falte respeito, valorização e um espaço onde cada uma possa conquistar o que merece”, disse.

UNIÃO BRASILEIRA DE MULHERES
A advogada e cientista social, Dra. Bruna Lemos, conduziu a abertura da palestra percorrendo marcos legislativos que moldaram a condição feminina no Brasil. Ela lembrou que as mulheres só conquistaram o direito ao voto em 1932, que até 1962 precisavam da autorização do marido para trabalhar, viajar ou vender bens, e que avanços mais recentes, como a lei de igualdade salarial, foram sancionados apenas em 2024.
Para Bruna, compreender essa trajetória é essencial para entender o presente. “A gente hoje acredita que mulheres e homens devem ser iguais perante a lei. Mas nem sempre foi assim, e para a história não faz muito tempo que existe essa noção no mundo”, ressaltou.
A médica Dra. Nilmara de Oliveira abordou a saúde da mulher sob uma perspectiva histórica e social. Ela destacou que, por muito tempo, o corpo feminino foi tratado como objeto de estudo e controle, com a atenção à saúde da mulher restrita quase exclusivamente à sua função reprodutiva.
Nilmara também chamou atenção para uma desigualdade que persiste no ambiente de trabalho: embora as mulheres representem 65% da força produtiva na saúde, ocupam apenas 25% dos cargos de chefia. “A gente precisa se fortalecer e cuidar umas das outras, sem julgamentos, para continuar nessa luta”, afirmou.
A fotógrafa e artista Bárbara da Silva Girão encerrou as apresentações falando sobre esgotamento profissional e a sobrecarga que recai de forma desproporcional sobre as mulheres, dentro e fora do ambiente de trabalho. Ela destacou que a chamada síndrome de burnout não atinge apenas quem trabalha fora de casa, mas também aquelas que dedicam suas energias ao trabalho doméstico, frequentemente invisibilizado.
“A gente começa a ficar doente tentando dar conta de corresponder a tudo”, alertou, reforçando a importância de reconhecer os próprios limites e praticar o autocuidado.
O evento foi encerrado com a apresentação da poesia “Raízes e Asas”, por Evanilde de Oliveira, enfermeira da Educação Permanente do CHMSA, cujos versos evocam a força silenciosa que sustenta a trajetória das mulheres. “Ser mulher / é carregar raízes profundas, / firmadas no silêncio das lutas, / na história que ninguém vê, / mas que sustenta tudo”, declamou.
