FUABC vence chamamento e assumirá gestão do Hospital Estadual de Mirandópolis

Publicado em: 09/03/2026

Plano assistencial prevê ampliação de 67 para 102 leitos, novos exames – como tomografia e endoscopia – e expansão de especialidades médicas e cirúrgicas

 

A Fundação do ABC (FUABC) acaba de vencer chamamento público do Governo do Estado de São Paulo para assumir a gestão plena do Hospital Estadual de Mirandópolis “Dr. Oswaldo Brandi Faria”. O resultado foi publicado na edição de 3 de março do Diário Oficial do Estado de São Paulo e o início dos trabalhos ocorrerá em 1º de abril, consolidando uma nova etapa de avanços e qualificação da assistência prestada à população. A FUABC já atuava parcialmente na unidade desde dezembro de 2023 e agora passa a responder por toda a operação assistencial e administrativa. O convênio anterior contemplava somente a área de Urgência e Emergência do Pronto Socorro Adulto e Pediátrico, além de 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva Geral Adulto e 15 leitos de Internação em Enfermaria de Clínica Médica.

O Hospital Estadual de Mirandópolis é uma unidade pública voltada integralmente ao Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta de gestão da FUABC enfatiza a qualidade e a segurança nos atendimentos, assim como a humanização, sustentabilidade financeira e operacional, além da capacitação contínua das equipes. O modelo também incorpora políticas corporativas de compliance, ética e proteção de dados, alinhadas à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), reforçando os pilares de legalidade, transparência e publicidade dos atos administrativos.

O novo ciclo de gestão está ancorado no Plano Operacional apresentado à Secretaria de Estado da Saúde, que apresenta detalhadamente as diretrizes assistenciais, metas, estratégias de ampliação de serviços e um modelo estruturado de governança para implantação e execução das atividades.

 

IMPLANTAÇÃO EM FASES

Um dos pontos centrais é a implantação estruturada em três fases sucessivas, permitindo que a ampliação dos serviços ocorra de forma organizada, com segurança assistencial e equilíbrio financeiro. A Fase I, correspondente aos três primeiros meses de contrato, marca o início da gestão plena, com manutenção dos serviços já existentes e consolidação das bases operacionais. Nesse período serão estruturados fluxos assistenciais, equipes multiprofissionais e especialidades fundamentais, garantindo estabilidade no atendimento e cumprimento das metas pactuadas.

A Fase II, prevista do quarto ao nono mês, representa a ampliação progressiva da capacidade instalada de 67 para 87 leitos e a expansão do escopo clínico e cirúrgico. Nessa etapa ocorre o incremento de especialidades médicas, como Cirurgia Pediátrica, Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Cirurgia Vascular, Neurologia Clínica e áreas cirúrgicas como Otorrinolaringologia, Proctologia e Urologia. Também há ganho na capacidade diagnóstica, com ampliação de exames de tomografia, ultrassonografia, raio-X e mamografia, além do início dos serviços de endoscopia e colonoscopia.

Já a Fase III, do décimo ao décimo quinto mês, consolida a etapa de maior expansão estrutural e tecnológica. O total de leitos alcança 102, incluindo a implantação de 10 leitos destinados à Saúde Mental – projeto que contará com investimentos específicos para adequação física –, além da ampliação de leitos de Clínica Médica, Obstetrícia e Pediatria. Nesta fase também se intensificam os procedimentos especializados e a incorporação de novos equipamentos. O conjunto dessas medidas projeta o Hospital Estadual de Mirandópolis para um novo patamar assistencial, com maior resolutividade e capacidade de resposta às demandas da região, sob gestão integral da FUABC.

Para o presidente da Fundação do ABC, Dr. Aldemir Humberto Soares, a implantação em fases garante responsabilidade e previsibilidade na expansão da unidade. “Assumir a gestão plena de um hospital exige planejamento técnico, respeito às etapas de crescimento e compromisso com metas claras. Estruturamos o projeto em fases justamente para consolidar a base assistencial e ampliar os serviços com segurança, preparando a unidade para um novo patamar de atendimento regional. Nosso objetivo é assegurar qualidade, eficiência e sustentabilidade em cada etapa desse processo”, afirma.

 

TECNOLOGIA COMO EIXO ESTRATÉGICO

Além da ampliação assistencial, o Plano Operacional também prevê investimentos consistentes em tecnologia da informação e modernização de processos. Entre as diretrizes estabelecidas está a implantação e o aprimoramento de sistemas informatizados de gestão hospitalar, com prontuário eletrônico, integração de dados assistenciais e administrativos e maior rastreabilidade das informações clínicas. A proposta contempla ainda o fortalecimento da segurança da informação, com políticas estruturadas de proteção de dados e garantia de confidencialidade, integridade e disponibilidade das informações, em consonância com a legislação vigente.

Outro eixo estratégico é o modelo de governança. O projeto detalha mecanismos de acompanhamento de metas quantitativas e qualitativas, monitoramento de indicadores assistenciais e financeiros e avaliação contínua de desempenho. A lógica é assegurar transparência na aplicação dos recursos públicos, eficiência operacional e melhoria permanente dos processos internos, com foco na resolutividade e na satisfação dos usuários do SUS.

O plano também estabelece diretrizes para gestão de pessoas, com critérios técnicos para recrutamento e seleção, capacitação permanente das equipes e definição clara de atribuições e fluxos de trabalho. “A valorização profissional e a organização das equipes multiprofissionais serão tratadas como pilares para sustentar o crescimento previsto ao longo das três fases de implantação”, completa Dr. Aldemir Soares.

Com a gestão plena, a Fundação do ABC assume o compromisso de conduzir o Hospital Estadual de Mirandópolis em um ciclo estruturado de expansão, modernização e qualificação da assistência. A proposta apresentada à Secretaria de Estado da Saúde projeta não apenas o aumento da capacidade instalada, mas, sobretudo, o fortalecimento do papel regional da unidade, ampliando o acesso e elevando o padrão de atendimento ofertado à população.