Publicado em: 05/02/2026

O Centro de Infusão é uma das conquistas recentes do HCA (foto: Divulgação/CSSBC)
No Dia Mundial do Combate ao Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, o Hospital de Câncer de São Bernardo do Campo Padre Anchieta (HCA) reforça seu papel estratégico na rede pública municipal ao unir alta capacidade assistencial, processos ágeis de diagnóstico e tratamento e um modelo de cuidado centrado no paciente e na família. A unidade também simboliza avanços em humanização, tendo sido palco, em 2025, da assinatura da lei municipal que autoriza a entrada de pets para visitas a pacientes internados.
Ao longo de 2025, o hospital demonstrou desempenho relevante: 87% dos pacientes tiveram diagnóstico e início de tratamento em até 60 dias, indicador que evidencia organização dos fluxos assistenciais, integração entre serviços nos diferentes níveis de atenção e compromisso com o tempo oportuno de cuidado, fator decisivo para melhores resultados clínicos.
Para o diretor técnico do HCA, Dr. Luiz Junior Noyama, os números refletem um projeto institucional consistente e de longo prazo. “O Hospital de Câncer Padre Anchieta foi estruturado para responder com rapidez, qualidade e humanidade às necessidades da população. Atuamos com equipes multidisciplinares, protocolos baseados em evidências e investimento contínuo em segurança do paciente para garantir que cada pessoa atendida pelo SUS (Sistema Único de Saúde) receba o cuidado certo, no momento certo e com dignidade”, afirma.
O secretário de Saúde de São Bernardo, Dr. Jean Gorinchteyn, ressalta que o trabalho do HCA materializa o papel da saúde pública no município. “O Dia Mundial do Combate ao Câncer nos lembra que o SUS é uma política de vida. Em São Bernardo, transformamos esse princípio em ação concreta ao garantir diagnóstico ágil, tratamento de alta complexidade e acompanhamento integral na própria cidade. O HCA mostra que o SUS pode ser resolutivo, humanizado e acessível, reduzindo desigualdades e salvando vidas”, destaca.
EXPERIÊNCIAS DE SUCESSO
A experiência dos pacientes reforça esse impacto. Rosilene Maria Garcia, 58 anos, moradora do bairro Golden Park, em São Bernardo, passou por um percurso marcado por dor pessoal e redescoberta do cuidado consigo mesma. Após um período de luto profundo pela perda de um filho e de uma irmã, acabou deixando a própria saúde em segundo plano, mesmo trabalhando na área. Só buscou atendimento quando percebeu um pequeno nódulo abdominal e o crescimento progressivo da barriga.
Ela procurou a UBS Silvina, que realizou o primeiro atendimento e o encaminhamento para investigação especializada. O diagnóstico e a cirurgia foram feitos no Hospital da Mulher, após a identificação de uma massa pélvica posteriormente confirmada como câncer de intestino. Depois do procedimento, permaneceu em observação no Hospital de Clínicas e, na sequência, iniciou o tratamento quimioterápico no Hospital Anchieta onde está em tratamento através de sessões de quimioterapia.
Rosilene destaca a agilidade do sistema de saúde de São Bernardo e a integração entre atenção básica e alta complexidade. “Me senti acolhida em todas as etapas, desde a UBS até o Hospital Anchieta. Ter o tratamento perto de casa, com uma equipe multiprofissional atenciosa, me deu segurança para enfrentar a quimioterapia e seguir em frente”, afirma.
Para a coordenadora da Oncologia do HCA, Dra. Cláudia Setti, a data convida à conscientização coletiva. “As pessoas precisam entender que o câncer pode ser tratado e curado. Mas é fundamental estar atento aos sinais do corpo e realizar os exames preventivos adequados para cada idade e sexo”, afirma. Ela reforça que o diagnóstico precoce é a principal ferramenta de cura. “Quanto mais inicial for o diagnóstico, maiores são as chances de recuperação do paciente. Essa é a nossa melhor arma contra a doença”, acrescenta.
A especialista chama atenção para um mito ainda presente na sociedade: a ideia de que o diagnóstico de câncer equivale a uma sentença de morte. “Isso não é verdade, mas esse medo provoca atraso na busca por atendimento e prejudica o tratamento. Quem descobre cedo tem muito mais chance de cura”, alerta.
CUIDADO HUMANIZADO
Como referência regional em oncologia e clínica médica, o HCA dispõe de uma estrutura robusta que integra atendimento ambulatorial, internação, terapia intensiva e apoio diagnóstico, com 83 leitos instalados, consultórios especializados, posições de quimioterapia, serviço de radioterapia, pronto atendimento e centro de infusão. O suporte tecnológico com tomografia, radiografia, ultrassonografia, ecocardiografia, laboratório próprio e agência transfusional garante rapidez na confirmação diagnóstica e no acompanhamento dos tratamentos.
Os resultados de 2025 traduzem a dimensão desse trabalho, com mais de 2 mil internações, elevada taxa de ocupação hospitalar, centenas de milhares de exames laboratoriais, milhares de exames de imagem e um volume expressivo de consultas médicas e multiprofissionais, além de quase 10 mil sessões de quimioterapia e número equivalente de radioterapia.
No eixo de qualidade e segurança do paciente, o HCA avançou com certificação internacional Qmentum Gold, implantação do Código Amarelo (NEWS), fortalecimento da estomaterapia e uso de inteligência artificial na análise de dados assistenciais. No âmbito do Proadi-SUS, o hospital mantém foco na redução de infecções relacionadas à assistência à saúde, registrando ausência de infecção urinária na UTI desde julho de 2025.
A unidade também consolidou uma cultura de cuidados paliativos e humanização, com equipes especializadas e iniciativas como Cabelegria, Sino da Vitória e projetos sociais conduzidos por voluntários, que fortalecem o acolhimento emocional dos pacientes e suas famílias, incluindo o programa de visitas assistidas de pets, viabilizado após a lei assinada no próprio hospital.
O acesso aos serviços oncológicos começa na Unidade Básica de Saúde de referência, que realiza a primeira avaliação e encaminha para investigação e tratamento especializado na rede municipal e regional do SUS. Para 2026, o planejamento do HCA prevê a construção de uma linha de cuidado oncológico estruturada, implantação de centro de reabilitação multidisciplinar, redução do tempo de início de tratamento após laudo de biópsia, ampliação do atendimento ambulatorial e fortalecimento das equipes de cuidados paliativos, incluindo leitos dedicados a pacientes em cuidado de fim de vida e retaguarda para longa permanência.