Hospital Mário Covas atende 318 pessoas em ação de prevenção à doença renal em Santo André

Publicado em: 02/04/2026

Campanha realizada em alusão ao Dia Mundial do Rim identificou casos de risco e encaminhou pacientes para a rede pública de saúde

 

O Hospital Estadual Mário Covas (HEMC), gerenciado pela Fundação do ABC em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, realizou dia 28 de março uma ação de prevenção à Doença Renal Crônica (DRC) que atendeu 318 pessoas no Parque Antônio Fláquer (Ipiranguinha), em Santo André. A iniciativa integrou as ações do Dia Mundial do Rim 2026, celebrado em 12 de março, e teve como objetivo conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da Doença Renal Crônica, condição caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função dos rins.

Ao final da ação, 143 pacientes realizaram o exame de creatinina, e 43 apresentaram necessidade de encaminhamento para a rede municipal de saúde (UPAs e UBSs), garantindo a continuidade do cuidado a partir do diagnóstico inicial. A feira de saúde, aberta à população, contou com um circuito de atendimento organizado em etapas, incluindo recepção, coleta de dados, aferição de peso e altura para cálculo do IMC (Índice de Massa Corpórea), medição da pressão arterial e glicemia capilar. Nos casos com maior risco, foram realizados testes rápidos de creatinina, com cálculo da Taxa de Filtração Glomerular (TFG), que estima o volume de sangue que os rins filtram por minuto. Pacientes que apresentaram alterações foram orientados e encaminhados para atendimento na rede municipal. A iniciativa também contou com suporte das áreas de fisioterapia e nutrição, reforçando o cuidado integrado.

Segundo o coordenador da Nefrologia do HEMC, Dr. Luiz Fernando de Souza, projeções indicam que a insuficiência renal poderá se tornar a quinta principal causa de morte no mundo até 2040, superando diversos tipos de câncer. “Esse crescimento acelerado ocorre porque a doença é frequentemente subestimada. Muitos pacientes com hipertensão ou diabetes acreditam estar saudáveis por não apresentarem sintomas, perdendo a janela crucial para o diagnóstico precoce”, afirma. O especialista destaca que, sem identificação preventiva, as chances de controle adequado diminuem, restando terapias substitutivas, como hemodiálise e transplante renal, em estágios mais avançados.

“Estamos realizando a feira de saúde para conscientizar as pessoas sobre os cuidados com os rins, um órgão muitas vezes lembrado apenas quando surgem problemas. Essa ação busca destacar a importância da prevenção, já que a doença renal crônica tende a crescer no mundo e, no Brasil, está fortemente associada à hipertensão e ao diabetes”, destacou a coordenadora de Enfermagem do HEMC, Darlene Medeiros, também presente na ação.

MOBILIZAÇÃO POPULAR

A iniciativa também impactou diretamente os participantes. Aparecido José da Silva, um dos pacientes atendidos, ressaltou a importância da ação. “Mesmo em um bairro mais nobre, o parque recebe gente de diversas comunidades, e oferecer esse cuidado aqui faz diferença. Fui abordado e aproveitei para fazer o teste, já que costumo acompanhar minha pressão e glicemia”.

Já a paciente do HEMC, Neomisia Pereira, esteve na ação para incentivar as pessoas à prevenção. “Quando descobri a doença renal já estava de forma tardia, pois eu ignorava as cólicas renais e me medicava sem orientação médica. O diagnóstico veio quando meus rins já haviam parado, o que me faz enfrentar sete anos de hemodiálise. Eu levo uma rotina normal: trabalho, viajo e aproveito a vida, mas com a consciência de que a prevenção teria mudado o meu começo”.

O coordenador de Nefrologia do HEMC reforça que a avaliação da saúde renal depende de exames como dosagem de creatinina, urina tipo 1, relação albumina/creatinina (RAC) e ultrassonografia dos rins. “Por meio desses exames conseguimos ver se a pessoa tem ou não alteração da estrutura renal. Recebemos com frequência pacientes que têm histórico familiar de doença policística ou paciente portador de rim único e ele não sabe, por nunca ter feito exame de imagem renal”, finalizou.

A ação contou com apoios do Centro Universitário FMABC, Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) e Lions Club de Santo André – Centro.