Publicado em: 29/12/2025
Com apoio da Fundação do ABC, o Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário de São Paulo (CHSP-SP), gerenciado em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, mobiliza colaboradores a favor de um compromisso institucional pelo enfrentamento à violência contra as mulheres. Diante da alta de casos de feminicídio registrados nas últimas semanas, o tema exige atenção permanente, reflexão coletiva e ações concretas de toda a sociedade.
A iniciativa, elaborada pela Diretoria e a área de Recursos Humanos da unidade, tem como objetivo conscientizar os colaboradores sobre o tema, oferecer canais de atendimento, escuta e acolhimento às mulheres, e reforçar a responsabilidade coletiva no enfrentamento do problema, com destaque para o papel dos homens. Para tanto, todos os colaboradores da CHSP receberão material atualizado sobre a ação. As informações também serão afixadas nos painéis informativos da unidade, ampliando a divulgação.
A violência contra as mulheres permanece como uma grave violação de direitos e um problema estrutural no Brasil. Dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto de Pesquisa do Senado Federal (DataSenado), evidenciam a urgência do enfrentamento: em 2025, cerca de 3,7 milhões de brasileiras relataram ter sofrido algum tipo de violência doméstica ou familiar. Em 2024, o país registrou 1.492 feminicídios, o maior número desde o início do monitoramento oficial do crime, além de um recorde alarmante de 87.545 casos de estupro contra mulheres.
Casos recentes reforçam a gravidade do cenário. Em 2025, observou-se aumento significativo dos feminicídios cometidos com arma de fogo em diversas regiões. Em uma amostra de 57 municípios, foram contabilizados 29 casos de feminicídio ou tentativa até agosto, sendo que 86% das vítimas foram mortas por companheiros ou ex-companheiros, pessoas do convívio próximo. O levantamento é do Instituto Fogo Cruzado, organização não-governamental que atua na pesquisa, monitoramento e divulgação de dados sobre violência armada.
Esses números demonstram que a violência contra as mulheres vai além do espaço doméstico: trata-se de relações de poder, controle e dominação que podem culminar em sofrimento extremo e morte. Por isso, a educação, a conscientização e o fortalecimento das redes de apoio às vítimas são fundamentais para a prevenção e o enfrentamento desse problema.
“O enfrentamento desse problema passa pela corresponsabilidade social. É fundamental que todos, em especial os homens, reflitam sobre seus papéis, revisem discursos e comportamentos que naturalizam atitudes machistas. Por isso, diante do cenário nacional, decidimos ampliar a divulgação junto aos colaboradores. Como instituição pública de saúde, temos o dever de estimular essa reflexão, fortalecer e divulgar as redes de apoio”, destaca o diretor-geral do CHSP, Dr. Rogério Bigas.