Após melhorias, rede municipal de SBC fecha 2025 sem registro de morte materna

Publicado em: 27/02/2026

Resultado é histórico na cidade e reflete investimentos em infraestrutura e humanização

 

Hospital da Mulher em São Bernardo do Campo

“Encontrei uma equipe de profissionais, todas mulheres, que me deram muito apoio. Estiveram do meu lado, explicando tudo, me auxiliando. O sentimento hoje é de paz e tranquilidade.” Quem escuta a moradora do Jardim Portugal, Maria Julia Busato de Campos Zemetek, de 21 anos, contar tão calmamente a sua experiência, não pode imaginar que ela passou por uma gestação e parto gemelar de risco e teve uma hemorragia após a cesariana.

Inserida imediatamente no Protocolo de Tratamento de Hemorragia Pós-Parto (HPP) do Hospital da Mulher, com adoção das medidas assistenciais preconizadas institucionalmente, Maria Julia se recuperou e ilustra importante resultado alcançado por São Bernardo em 2025: nenhuma morte materna na rede pública de saúde.

O resultado é histórico e reflete os investimentos e melhorias realizados no Hospital da Mulher durante o primeiro ano de gestão do prefeito Marcelo Lima. De acordo com o Ministério da Saúde, morte materna é o óbito de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação, independentemente da duração ou da localização da gravidez. É causada por qualquer fator relacionado ou agravado pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela.

Dentro do contexto de registro computado dos últimos anos, dados oficiais da Seção de Informações Epidemiológicas do Departamento de Proteção à Saúde e Vigilâncias apontam que em 2019 foram registrados três óbitos maternos na maternidade no município. O número passou para quatro em 2020, cinco em 2021, três em 2022, dois em 2023, três em 2024 e zero em 2025.

Maria Julia trocou o atendimento em plano de saúde pelo do Hospital da Mulher, e avalia que essa foi a melhor decisão que poderia tomar. “Foi um atendimento maravilhoso”, recordou a mãe dos pequenos Tomé e Francesco, nascidos em dezembro de 2025. Ela também é mãe de Noah, de 2 anos. “Todos no hospital sempre foram muito solícitos comigo. Todos os profissionais, médicos, sempre respeitosos, respeitando sempre as nossas decisões, minhas e do meu marido, junto com a nossa doula”, contou. “Graças ao atendimento que recebi consegui levar a gestação até 36 semanas, apesar de estar com contrações e dilatação desde a 33ª semana. Me apoiaram o tempo todo, antes e durante o parto. Após, com a amamentação, com os cuidados com os bebês. Foi muito boa a minha experiência”, concluiu.

O prefeito celebrou o resultado a partir de medidas no Hospital da Mulher, incluindo melhor infraestrutura e de humanização. “Muito orgulho de todas as melhorias importantes e necessárias no Hospital da Mulher logo no começo da nossa gestão. Reformamos o telhado, entregamos mais 22 leitos, mamógrafo, que, até então, esse hospital não tinha, e inauguramos a Casa da Gestante. Mas, estruturas físicas são apenas uma parte. O trabalho da equipe, que é extremamente dedicada e capacitada, é a outra parcela significativa dessa equação de sucesso”, destacou.

AÇÕES ESTRATÉGICAS

A diretora técnica do Hospital da Mulher, Dra. Adlin Veduato, detalhou que, ao longo de 2025, em conjunto com o Departamento de Atenção Básica e Gestão do Cuidado, foi implementado um conjunto de ações estratégicas voltadas à redução da mortalidade materna por causas evitáveis. Segundo a diretora, as iniciativas tiveram como eixos centrais a prevenção, a detecção precoce de riscos, a padronização das práticas assistenciais e a resposta oportuna às emergências obstétricas, fortalecendo a segurança do cuidado às gestantes e puérperas.

“Foram atualizados e padronizados protocolos assistenciais e institucionais para o manejo das principais causas evitáveis de mortalidade materna, incluindo hemorragia pós-parto (HPP); síndromes hipertensivas da gestação, com ênfase em pré-eclâmpsia e eclâmpsia; sepse obstétrica e tromboembolismo venoso (TEV)”, afirmou Dra. Adlin. “Adicionalmente, foi instituído o protocolo de Código de Emergências/Urgências Obstétricas, bem como a identificação das pacientes em investigação de pré-eclâmpsia por meio de pulseira laranja, associada ao controle rigoroso dos sinais vitais com periodicidade horária.”

HUMANIZAÇÃO

Em 2025, foi implantado o programa de doula voluntária, representando um avanço significativo na humanização da assistência ao parto e nascimento. Outra medida foi a ampliação da agenda do Programa Bebê a Bordo, curso para gestantes de preparação para a chegada do bebê. Como proposta para 2026, o programa será disponibilizado para todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) em formato on-line, ampliando o alcance e a participação das gestantes.

“As ações implementadas em 2025 fortaleceram a linha de cuidado materno, integrando prevenção, diagnóstico precoce e resposta qualificada às emergências obstétricas. A atuação articulada entre a Atenção Básica e o Hospital da Mulher contribuiu de forma significativa para a redução da mortalidade materna por causas evitáveis, reforçando a segurança, a qualidade e a humanização da assistência prestada às gestantes e puérperas”, finalizou Dra. Adlin, diretora técnica da unidade.

O secretário de Saúde de São Bernardo, Dr. Jean Gorinchteyn, explicou que o índice de morte materna é um dos mais importantes indicadores da qualidade da saúde pública de um município. “Está diretamente relacionada aos atendimentos pré-natais, ao acompanhamento da gestante, seja a gravidez de alto risco ou risco habitual. Então é um resultado que nos enche de orgulho e que vira uma meta a ser alcançada nos próximos anos.”